PREFÁCIO

A noite se dobrava lentamente enquanto ele olhava pela janela, sem perceber que alguém o observava pelo lado de fora.

A lua estava cheia e o vento era frio.

- Acho que vai chover. – pensou Lucas. Era engraçado esse dom que ele tinha, e não sabia o porque, o tempo sempre contava a ele o que estava para acontecer, se ia chover ele dizia com total certeza, se algo ia acontecer, suas previsões nunca eram erradas.

Ele brincava com isso, era divertido, mas nunca tinha levado a serio, ele não sabia os segredos que seu nome guardava, e quanto seu sangue era especial.

 

*

 

Do lado de fora a sombra que estava em cima de um prédio observava: um bairro simplista, com ruas de terra, um poste com a luz queimada, outro que estava pela hora da queda.

- São apenas pessoas. – Ele pensou. Andrews se perguntava o que o tinha trazido até ali, aquele garoto tinha conseguido mudar o tempo bem na sua frente, mas era normal para os homens fazerem isso, apesar deles não saberem das suas capacidades.

Alguns homens jogavam dominó na esquina e conversavam. A rua estava silenciosa e o som das pedras batendo na mesa podia ser ouvido longe.

- Se por acaso um dia meu coração me enganou é provável que eu não estivesse vivo, tem que ser ele, sangue do meu sangue afinal eu não estaria nesse estado pra seguir uma pessoa qualquer.

Andrews não amava os homens, mas ele preferia a indiferença a um confronto, ele optou pelo esquecimento e a miscigenação de sua raça, ao invés de tentar dominar os mais fracos.

Muita coisa caiu no esquecimento e sua memória também estava nesse meio. Foi assim que as pessoas não sabiam da existência dele, tudo era conspirado para que ninguém soubesse de nada, nem mesmo os guardiões. Era um mundo à parte, aquilo que chamavam de noite, onde coisas aconteciam.

Essa era a razão de viver de Andrews, dar paz aos homens. O por que ele não sabia, mas preferia deixar as coisas daquela forma. Aquele trabalho era um afago no seu coração, e para sua mente que não lembrava de muita coisa.

E lá estava, como ele esperava, a mais de dois dias uma criatura se mostrava suspeita, era um caçador de almas que fazia uma perseguição a fio, a um jovem, a surpresa de Andrews foi descobrir que a presa era o mesmo garoto que ele passava horas a olhar todos os dias.

Ora, mas Andrews era apenas um garoto, que tinha responsabilidades de um homem, apesar de que era fácil para ele lidar com isso, estranho? Talvez.

Agora sua atenção se voltava para o telhado do prédio onde o garoto morava, a fera estava lá, estava prestes a atacar e ele não podia perder tempo.

Calculou mentalmente ia precisar levar o combate pra cima, quando o monstro se lançou no mergulho, ele atirou.

A chuva começou a cair.

Lucas viu o relâmpago e pela primeira vez notou a sombra que vinha na sua direção, mas ela se jogou pra cima do prédio.

- Como pode isso? – Ele se esticou para tentar olhar pra fora, mas nada podia ser visto. Uma coisa que Andrews tinha aprendido a ser era silencioso e rápido. Seu dever era destruir qualquer fera que ameaçasse os homens de maneira que ninguém percebesse, mas Lucas não era um homem comum, era um descendente de uma raça antiga que passou a manifestar seus desígnios com intervalos entre gerações, e ele tinha sido premiado pelo destino, ou amaldiçoado, quem vai saber.

Ele era um mago.

~ por taglich em Março 15, 2008.

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