Amon Täglich; Capítulo Um, O novo despertar.
- Por que a perseguição ao garoto? – Andrews olhou rapidamente o relógio que emitia um bip. Alsoter. Era um caçador de almas, como ele pensava, alem de seu nome apenas um aviso era visível de forma que Andrews não percebeu o perigo que estava próximo. “MUITO PERIGOSO!”.
O barulho das telhas se quebrando foi abafado por mais um trovão.
- Como é fácil usar a natureza, se não fosse por ela, eu estaria em apuros. – Andrews pensou. Ele não se preocupava com os monstros e seres que enfrentava diariamente, ele tinha medo da reação dos homens se descobrissem o que os cercava.
Uma respiração pesada e quente estava no seu pescoço.
- Desculpe amigo, mas no primeiro encontro eu prefiro apenas conversar! – o chute certeiro de Andrews atingiu a criatura, que cambaleou em direção ao parapeito.
Andrews correu e segurou o monstro pela protuberância que saia pela sua cabeça.
Eram comuns os chifres nos filhos do senhor do submundo.
- Infelizmente você, vai comigo pra um canto em que seu pai, não pode te ajudar.
Dessa vez um raio cortou o céu e com um silvo acertou exatamente no poste, que estivera indeciso sobre sua luz.
Uma explosão enorme jogou Lucas para dentro do quarto, ele até o momento estava tentando ver o que tinha acontecido. Chuva, trovões e raios não eram comuns naquela cidade.
Andrews havia sido atingido por um braço da descarga elétrica e da forma que ficou viu algo que não esperava, seus olhos que eram meticulosos, agora estavam horrorizados.
Uma figura escura que parecia ter asas aparecera atrás de Alsoter, e o segurava com garras escuras, alem dessas garras, apenas os olhos de cobra podiam ser vistos em toda a escuridão que os cercava.
- Quem é você? – Andrews perguntou, se preparando para o próximo ataque. Não importava quem era ele, tinha um trabalho a fazer.
Andrews havia sido chamado por uma agencia governamental, que trabalhava no mais absoluto sigilo. O uniforme de Andrews trazia nas costas as iniciais I.C.S. O Instituto de Controle Sobrenatural era uma agencia que fazia valer o dinheiro que gastava.
Seus agentes apenas respondiam a uma pessoa, o chefe. E sua missão era enviada através da mais avançada tecnologia, o relógio que Andrews trazia consigo só funcionava com pessoas especiais.
Mais dez agentes faziam parte dessa organização, mas nenhum sabia nada do outro, só os melhores eram contratados. A estatística era certa, a cada um milhão de pessoas, um ser especial nascia, isso em apenas uma certa localidade que era definida por eventos climáticos, históricos e situações do dia-a-dia como um simples cair de folhas na árvore da esquina. A ICS tinha o dever de fazer essa varredura, achar esses homens e mulheres, monitorá-los e ensiná-los para que futuramente servissem a nação.
Esses foram conhecidos como renegados. Os últimos magos viventes, os restos dos genes perfeitos que tentavam sobreviver, eram poderosos em combate, mas frágeis contra as pragas modernas.
- Olha aqui, essa criatura já é minha, não importa quem seja você, é melhor não tentar lutar! – Andrews estava blefando, suas ordens eram simples e diretas:
- Seja discreto, eu não quero problemas. – O chefe era um homem velho, mas muito influente, o mundo não sabia sobre as ações da ICS graças a ele, um gênio que subira no exercito rapidamente. O principal trunfo da ICS era sua nação sede, um pais emergente que não tinha um crédito confiável no mercado internacional.
- É melhor não se intrometer criança, essa responsabilidade pertence ao reino abençoado e ao reino do sub-mundo. Não se intrometa, em assuntos onde seus pequenos truques de mágica não têm efeito. – A voz era seca e rasgava o ar, trazia lembranças de morte e fazia Andrews sentir um frio na espinha.
- Criança? – Andrews estava pegando uma espécie de esfera transparente que emitia uma luz fraca.
- Que tal você tomar cuidado com o que fala! – Andrews fechou o objeto nas mãos na forma de um selo antigo.
- Filho dos céus, senhor da luz, onda de energia. Ataque, relâmpago rei!
O objeto foi jogado e produziu na hora um relâmpago que foi em direção a criatura, mas apesar de toda a energia que foi liberada a escuridão só aumentou e o ataque não teve nenhum efeito, pelo contrario ele foi revidado com uma gargalhada diabólica.
- É isso que você sabe? Como podem temer uma criatura tão patética? Seu poder foi todo resumido ao uso de maquinaria humana?
Um braço de sombras se lançou sobre Andrews de forma ameaçadora. Pela primeira vez em muito tempo ele estava sentindo medo.
- Vamos testar a força do maior de todos os magos!
Aquilo estava fora dos seus planos, na maioria das vezes Andrews não tinha problemas na captura, os monstros não podiam controlar as propriedades naturais, eram apenas monstros, seres deformados pela vontade de um ser superior que tentava dominar a Terra.
Era uma briga antiga, ele havia lido na poderosa biblioteca da ICS, uma briga que perdura por eras.
Um senhor do céu acima das cabeças e um lugar que é inalcançável sem a autorização dele ou de seus generais.
E o outro seu filho que bateu em retirada para o submundo quando o mundo ainda era jovem. Uma briga mesquinha de dois seres que na realidade não tinham controle nenhum, apesar de dominarem através da ingenuidade humana.
Ao se lembrar desses escritos a mente de Andrews conseguiu libertar uma coisa a muito selada, uma força maior e capaz de como diziam os antigos “realizar a mais perfeita união”. A união do bem e do mal.
Tudo parou, por que aquele poder era capaz de alterar barreiras poderosas como o tempo.
O movimento foi rápido e diferente de tudo que Andrews havia experimentado até aquele momento. O seu corpo se moveu com total consciência e tudo pareceu lento aos seus olhos. O ataque inimigo parecia tão pequeno.
Ele não havia notado, mas uma aura o envolvia e seus olhos emanavam uma luz que feria as sombras crescentes, e não saberia se não fosse por um garoto curioso que se movia apenas pela vontade do seu coração e começava a abrir a portinhola para entrar no telhado do prédio.
- Não sei por que estou subindo, por que será que esta acontecendo isso? – Lucas estava pensando e seu coração apertava, ele lembrava de seus sonhos, coisas de criança, era um aperto bom, era uma dor que valia a pena sentir, ele não sabia que seus sonhos estavam tão próximos e que uma aventura onde a inocência é deixada de lado para que os sonhos possam se tornar realidade estava chegando.
- Pela benção daquela que acendeu a chama das estrelas e pelo aval de quem pode iluminar o universo, ataque de lamina número dez, espada que corta as sombras, AVANTE, LÂMINA DE LUZ!
E ele lembrou de muita coisa depois dessas palavras, nesse momento Andrews soube quem era, e por que estava ali, na realidade, o que era que ele estava fazendo, lembrou de toda uma farsa e sem a mínima piedade olhou a criatura de cima a baixo, e liberou usando os braços uma grande lamina que explodiu em luz, destruindo e apagando todas as sombras.
Olhando aquela cena estava Lucas, não acreditava no que via e se perguntava se era verdade. Aquilo que tinha acontecido era magia. Não eram truques, nem crença, não era manifestação comum aos homens, era magia pura e simples, magia com a qual ele sempre sonhou.
Ele havia visto tudo, o ataque das trevas e a reação de Andrews, e seu coração se deslumbrava, era real, tudo que ele imaginava, não estava sonhando, e ele sentia que poderia alcançar aquela força.
Lucas não sabia, mas estava se comportando como um mago.
- É o momento de contar algumas coisas sobre os magos, eles viveram no nosso mundo há muito tempo, e na sua língua o nosso mundo se chamava Iriam, muita coisa aconteceu naqueles tempos, Iriam, foi o nosso mundo na época em que havia magia, mas essa magia hoje em dia está muito fraca, por isso que os poderes de Andrews desapareceram.
Uma grande conspiração visou destruir tudo que existia e a magia estava incluída, mas esse plano fracassou. Pelas mãos de Andrews os planos do maior mal, que já se teve noticia em todo o tempo e espaço, foram impedidos.
O que Lucas escutou foi um encantamento é assim que eles são feitos.
Um encantamento é a forma mais complexa de magia, para os homens é quase impossível de ser realizado. Envolve muitos fatores como a reunião da força natural, a autorização da entidade responsável e a conversão de varias outras coisas em matéria, seja ela luminosa, seja ela térmica, ou seja, o resultado, o ataque. -
A surpresa foi para ambos, mas o perigo não havia terminado.
Foi rápido o suficiente para Andrews perceber, mas não para ele agir, o buraco de onde a criatura havia surgido estava lá, mas não havia nem criatura, nem monstro.
Uma grande garra feita de sombras tentou capturar Lucas, mas ao se aproximar do garoto o mesmo pareceu sofrer influencia da luz de Andrews e com uma mão ele inconscientemente bloqueou o ataque, que após um grito horrível de ser escutado desapareceu junto com o buraco, que na verdade era um portal.
- Quem… Quem é você? – Lucas perguntou, mas ele não estava com medo, aquele jovem que estava a sua frente parecia muito com ele, e trazia a ele sensação de conforto e segurança, ele estava feliz e quase eufórico, mas temeroso, dessa forma ele queria confirmar que não sonhava e que tudo aquilo era real.
Andrews havia confirmado suas suspeitas, o que aquele garoto tinha feito era um difícil recurso usado apenas por magos experientes, foi um ataque espelho, que imita o ataque de maior força que estiver mais próximo, é uma técnica para quando não se tem mais energia, assim o individuo pode atacar sem gastar sua própria energia.
- Finalmente eu estou cara a cara com você. – lagrimas brotavam dos olhos de Andrews.
Lucas ficou aflito vendo aquela cena, um rapaz estranho, que ele nunca havia visto na vida, chorando por sua causa.
- Por favor, não chore, eu acho que… Talvez… Eu quem deva chorar, por que eu entendi bem? Aquilo que você fez era magia? E… E eu também fiz…
- Sim aquilo era magia, magia que esse tempo não conhece. Algumas coisas têm que ser contadas meu amigo. Qual o seu nome?
- Lucas – respondeu o garoto, acenando com a cabeça.
- Muito prazer, eu sou Andrews. Talvez, você já saiba e não vai se assustar quando eu disser, mas eu sou um mago e você só sente essa euforia por que você também é.
- É incrível, é um sonho, você, aquele monstro, e eu? Quantas vezes eu não quis isso, quantas vezes isso me foi negado? Como pode existir magia? Tudo que existe hoje, para todas as pessoas, esse tipo de coisa é fantasia e sempre me disseram que a fantasia só serve para se fugir da realidade.
- Muita coisa eu vou contar a você, se não me engano você está só em casa, assim fica mais fácil. – Andrews, não ia apenas contar coisas para Lucas, mas ia contar coisas para ele próprio.
- Como você sabe disso? – Lucas começou a ficar desconfiado.
- Eu estava observando você a mais de um mês, você não foi sorteado entre muitos, como é comum de acontecer à magia hoje em dia, graças a forças do passado o meu sangue perpetuou por eras sem conta, você é especial dentro de sua linhagem que enfraqueceu, mas você descende de uma linhagem real, entre todos os magos.
- Agora vamos sair daqui por que ficar debaixo de chuva e nesse lugar imundo não é uma coisa muito agradável, e provavelmente essa chuva vai continuar por pelo menos um dia sem trégua, o mundo tem suas maneiras de limpar a sujeira que os seres das trevas deixam por ai.
Lucas tinha muito a perguntar e sinceramente pouco importava de ficar embaixo de chuva, até dentro de uma poça de sujeira ele não se importaria, pois nunca esteve tão feliz quanto naquele momento.
Para quem havia esperado catorze anos em vida, ele podia esperar alguns lances de escada e alguns minutos de descanso.
Nesse momento, apenas Andrews por já ser um mestre sentiu que muita coisa havia mudado, não foi apenas pelo ataque espelho, mas foi quando a balança pendeu que ele sentiu e confirmou que aquele era a nova manifestação do seu próprio eu, e vibrou por isso.

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