Amon Täglich; Capítulo Dois, Uma avalanche de Lembranças.

Estavam descendo as escadas e Lucas perguntava muitas coisas, mas recebeu como resposta apenas:
- Quando chegar lá embaixo, ai eu poderei falar de tudo com clareza, agora que você sabe da magia, então vai ser diretamente afetado por ela, no nosso mundo nada escapa a um poder mágico chamado Percepção.
Andrews sentiu uma sensação de frio, estava tudo ficando escuro e de repente ele caiu.
- O que houve com você? Hei Andrews, acorde! – Lucas começou a ficar perturbado, Andrews para ele era como uma chave, uma chave para uma porta que ele nunca conseguiu abrir, e por isso um instinto de zelar por ele surgiu no seu coração.
Uma porta se abriu e uma senhora idosa saiu olhando curiosa por detrás de uns óculos de armação dourada.
- Lucas? Meu garoto é você?
- Desculpe vovó sou eu sim.
- Por que está todo sujo e molhado? Você estava onde pra estar assim? Meu Deus do céu, menino como você está sujo!
- Ela não esta vendo o Andrews? – Pensou Lucas.
- Se bem que eu também não estou.
Andrews havia desaparecido contra sua própria vontade, temos que lembrar que ele ainda não estava acostumado a todo o poder que tinha recuperado.
- Eu já estou indo vovó. Estava pegando a chave que caiu aqui na escada. – Lucas falou fingindo pegar algo que estava no chão e desceu pulando os degraus e pensando onde estaria Andrews.
- Cuidado meu filho, as escadas estão molhadas. – Ele ouviu a voz da avó, mas quando pulou o ultimo lance de degraus ele escorregou e caiu, quando sua cabeça ia bater no chão duro, ele sentiu que ela flutuava parecia que alguém o segurava.
- Você ouviu o que ela disse? Cuidado, eu já disse isso a você. – E Andrews apareceu, ele estava segurando sua cabeça com uma espécie de braço prateado, que saia da palma da sua mão.
- Quase que eu não pego você, lembra o que eu falei sobre você ser mago? Eu acrescento mais uma coisa, esse mundo tenta destruir os magos automaticamente, a energia que você carrega dentro de si é poderosa demais para os limites desse mundo, agora vamos logo, eu sinto que algo vai acontecer, a energia daquela velha era muito forte.
- Aquela velha… era a minha avó, mais respeito, por favor! – Lucas não tinha gostado do tom de Andrews, mas ele falou da avó dele como se ela fosse poderosa, seria sua avó alguém especial também?
Andrews o ajudou a se levantar e foram até a porta, Lucas ia abrir a maçaneta quando a porta se abriu sozinha, ele pulou assustado.
- Calma! Essa é sua casa, as portas que foram fechadas por magos, apenas para magos se abrem.
- Quer dizer que se outra pessoa tentasse entra aqui, ela não ia conseguir? – Ele pensou em sua família, seria embaraçoso ter que explicar uma situação como aquela.
- Não, quer dizer que se alguém tentar entrar contra a sua vontade aqui, vai ter que matar você primeiro.
- Muito legal você sair falando essas coisas por aí.
- Você prefere que eu minta?
- Esquece, e vamos entrar logo parece que o dia hoje ta me pregando uma peça.
Eles entraram pela porta, era um apartamento de uma família de classe média, paredes todas brancas e um piso de cerâmica marrom, moveis escuros, tudo simples, nenhuma grande sofisticação, mas era um lugar que inspirava a uma família que estava tranqüila com a vida.
- Você tem água? – perguntou Andrews.
- Claro que sim! – Lucas correu e pegou um copo cheio de água gelada e deu a Andrews que tomou tudo em poucos goles.
- Que sede! Bem eu acho que devo algumas historias a você não é mesmo? – Lucas confirmou com a cabeça.
- Já falei sobre a existência dos magos, e você confirmou varias coisas que eu estava imaginando. Você tinha ânsia pela magia, você a procurava em todos os lugares que ia. Isso esta no sangue, é uma coisa que todo mago, como posso dizer, ah claro a palavra que vocês usam é pressentimento. Aquela coisa de controlar o tempo, bem isso não é tão especial, por que os homens comuns podem fazer tal coisa, apesar de não saberem disso e ser mais difícil, o sentimento de cada um é um grão que unido a vários outros grãos realiza grandes feitos, é isso que vocês chamam de fé.
- Lucas, a magia está em tudo, por que mesmo o que não é natural, ou seja, tudo que foi construído, fabricado, planejado e maquinado por um homem, tem parte de seu esforço e nesse esforço parte da energia passou, para essa idéia, ou instrumento.
- Entendo, mas e como funciona? – Lucas estava realmente empolgado com aquilo.
- Funciona o que?
- A magia. Como eu faço pra fazer um feitiço, por exemplo?
- Bem eu não vou dar aulas a você, por que basicamente pra resumir muita coisa que você ainda vai ter que ler, magia é instinto, o que eu me proponho a contar a você é minha historia, até onde eu lembrar claro. – Andrews coçava a cabeça como quem quer lembrar de algo.
- Eu vivi há muito tempo… Nossa como minha cabeça dói! – Andrews sentou no sofá acompanhado pelo olhar ansioso de Lucas.
- Você esta bem?
- Claro que estou, é só uma questão de tempo… Tempo… Como eu queria estar perto dele agora… – Lucas observava assustado, Andrews entrava em devaneios seu olhar se perdia em um passado incontável.

- O mundo que você vive Lucas, não conhece a magia, e não foi por vontade dele que isso aconteceu, foi por vontade de outros, por culpa de gente do meu tempo que você foi privado de toda a felicidade e todas as pessoas também.

- Eu tenho que confessar que esqueci coisas da minha vida, mas eu tenho certeza de uma coisa, eu renasci, atualmente na contagem que eu aprendi, entro na casa dos dezesseis anos, e a meu ver, e pelas lembranças que tenho agora, o que é pouca coisa, a minha vida toda vivi dentro do prédio da ICS, que é uma organização que participo e que vai me trazer problemas, por que agora sei que o que fiz foi errado. A magia não pode existir nesse mundo, ele já está velho, apesar do que dizem esse mundo não existe no tempo que acham que existe, ele chega a ser dez vezes mais velho.
- As pessoas não entendem e por isso o maltratam, mas esse mundo depois de um grande desgaste se reestruturou e restaurou uma aparência maquiada, uma máscara para que as pessoas achassem que ele era novo, esse mundo tem sim vida e consciência, graças a um poder muito antigo que habita em seu interior, por isso a inspiração das pessoas sobre o seu centro são sempre esquecidas, se as pessoas colocam algo na cabeça elas vão até depois da morte se for preciso pra realizar, então existe um mecanismo que tenta expor uma visão externa, as pessoas são inspiradas a alcançar o de fora, mas tanto o de fora é muito mais vasto do que as pessoas podem imaginar, é um disfarce pra que o resto de energia que existe dentro dele não morra, se morrer, tudo morre, a vida e tudo o mais.
- Aquilo a qual as pessoas chamam de destino é Aman, ele escreveu o livro o qual dizia como cada um deveria seguir sua vida, se ele enfraquecer até o ponto em o seu escudo quebre, todas as páginas do livro vão se queimar, tudo será destruído, é por isso que existe o mecanismo. As pessoas ficaram más, antes elas guerreavam por ignorância, por ganância – e continuam até hoje – não que a própria Ganância não deva existir. Tudo deve existir, mas atualmente as coisas fugiram do controle, os homens conhecem o perigo, são instruídos e ainda assim seguem o mesmo caminho. Isso realmente é revoltante e eu experimento dessa situação, mesmo estando a pouco tempo nesse novo mundo.
- O destino o abençoou, na verdade eu diria que você foi amaldiçoado, por que é provável que um grande mal tenha sido despertado, para que eu tenha recuperado a minha memória, e achado você, somos dois, faltam mais dois para que a conta dos guardiões novamente tenha sentido e eu tenho certeza que os elementares estão ressurgindo, para lutar.
- Elementares? O que é isso?
- O que, não, Quem são. Eles criaram tudo, podem ser comparados aos deuses de certas culturas… Não tempos tempo, preciso que você entenda o básico muito rápido, e tenho que dizer que isso vai doer.
Andrews colocou a mão acima da testa de Lucas e um brilho dourado apareceu na ponta do seu dedo, uma pequena brisa rodeou os dois fazendo os cabelos de Lucas se arrepiassem, ele estava experimentando uma leitura de mente, quer dizer, uma leitura inversa, ele sem saber, e por intermédio de Andrews, estava lendo uma mente muito complexa, a do próprio Andrews eram tantas imagens e passavam tão rápido, mas ele entendia, não sabia como, mas era como se fosse um filme muito rápido, e ele conseguia acompanhar aquela velocidade.
Uma pequena força o empurrou levemente e a luz desapareceu, e então ele pode abrir os olhos, sua cabeça latejava fortemente, e seus olhos pareciam fora de foco.
- Incomodo não? Temos que encontrar seus irmãos, e provavelmente vamos deparar com gente aliada no caminho, mas eles devem ser quem eu procuro e quem o mundo tenta fazer renascer, se Ele voltou então todos terão que voltar, e provavelmente um velho amigo deve estar ao nosso encalce, mas não se deve facilitar para eles, afinal eles quem tem a responsabilidade de equilibrar a luta…

Andrews puxou Lucas pelo braço e eles saíram correndo, na verdade Andrews os fez atravessar a parede e ficar em cima do muro do prédio logo a frente da janela onde tudo começou. Lucas não estava confuso pelas palavras de Andrews, mas pela dor de cabeça que aquelas lembranças provocavam nele. O velho amigo era “Rô”, na verdade, Rôdeirh, um Controlador do Destino, em Iriam eram chamados popularmente por esse nome, eles eram os únicos seres que tinham acesso aos poderes de Amam, mas não podiam lutar, cabia a eles dar dicas do que estava para acontecer, e tentar equilibrar a luta. Porém anos antes de Iriam encontrar seu fim definitivo, as forças das trevas se tornaram peritas em destruir o trabalho dos Guardiões do Sagrado, que era como os deuses chamavam os Controladores do Destino. Um trabalho quase perfeito, que só foi impedido graças a um garoto, esse garoto era Andrews, o ultimo trunfo do criador do mundo. Muitos mistérios envolvem sua existência e sua raça. Bem, realmente nem aos magos ele pertence, pois seu pai mundano era um mago, mas ele era filho do criador, pertencendo a raça dos Deuses de Eah, os deuses que podem originar deuses e que não servem a ninguém. Por enquanto não será dita muita coisa sobre isso, afinal Andrews nem disso se lembra.

Muito longe dali dois jovens, um de vinte e quatro anos e uma bela jovem que acabara de completar vinte primaveras, estavam caminhando no meio da rua, de uma cidade bastante escura, um cenário realmente assustador, principalmente para aqueles personagens.
- Não acredito que estamos aqui! Você realmente não tem jeito, eu já disse que ele iria aparecer pelo OUTRO lado, sinceramente irmãozão, eu sempre disse que seu senso de direção é péssimo, logo você que devia conhecer a terra como ninguém.
- Nossa como você reclama viu? “Má”, se você fosse mais atenciosa e olha-se o que ta na sua cara, veria que eu estou sempre certo.
- Hmm?
O rapaz apontou para frente onde um ser escuro como a noite, andava nervosamente encoberto por um capuz preto.
- Nossa! Cada dia eles parecem mais feios, eu não acredito, que em plena Nova York, eu tenha que estar caçando essas coisas.
- Eu já disse que você podia ficar em casa, que eu resolvia essas coisas, afinal eu vim para cá por causa disso, você só está de férias, eu tenho trabalho e essas coisas que me fazem criar raízes nesse lugar, você podia muito bem arrumar amiguinhos, e ir pro cinema ou outra coisa, não vou pegar no seu pé.
- Nossa! Como ele fala bonito! – Falou a menina em tom de deboche. Dando uma risadinha.
- Eu quero ir com você irmãozão, afinal, de que vale eu ir sozinha, vim aqui pra visitar você, pra onde você for eu vou junto.
- Você já leu o Livro de Fúriah? Que eu disse pra ler?
- Sim, e quase o queimei por causa disso! – Falou a jovem com uma cara de desapontamento.
- Você se lembra da parte em que ele diz como incendiar o oxigênio?
- Lembro sim.
- Eu quero que você…
Antes que pudesse perceber a garota levantou os braços com a palma das mãos apontadas para a criatura que se distanciava cada vez mais e chamou pelo espírito adormecido do fogo, que até aquele momento não havia sido reativado:

- Porção sobre um inteiro, aquele que controla as transformações, vem ao ouvir minha voz, e se transforme em raio incendiário, atravesse pelos portões do norte, dedilhado de fogo, INCÊNDIO!
A garota estalou os dedos e dele uma fagulha muito brilhante surgiu, o ar foi incendiado, mas apenas em uma linha reta imaginária, o fogo estava sendo controlado pela vontade da garota. Seria um ataque certeiro e sem defesa, o monstro não notará a liberação de magia a tempo, e tanta magia sem dúvida devia ter deixado ele paralisado, mas o raio de fogo foi repelido, uma figura negra se projetou como um escudo, em frente à criatura.
- Irmão, o que é isso?
- Marina, volte, e se proteja! Esse aí é esperto demais para os seus conhecimentos, volte! – O garoto estava totalmente desnorteado, nunca que um monstro poderia repelir um ataque direto daquele, normalmente nenhum monstro poderia, sua irmã tinha demonstrado uma magia monstruosa, como podia aquilo acontecer?
Esse garoto era Eduardo, e sua irmã Marina, eles não estavam em sua terra natal, mas existia uma força que os ligava a um de seus entes queridos, eles eram os irmãos mais velhos de Lucas. Se o garoto anteriormente sofrera um ataque, vocês poderão notar que ele não era um alvo tão desejado assim, por que tudo fazia parte de um plano maior, infelizmente esse plano era do inimigo.


~ por taglich em Março 15, 2008.

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