Amon Täglich; Capitulo Cinco, Passado. O terror congelado que supera as eras.

•Março 15, 2008 • 2 Comentários

- Meus irmãos estavam aqui, Marina e Eduardo, os dois estavam aqui. Ele por que trabalha aqui, ela estava de férias e veio visitá-lo.

- Entendo, mas nós não temos muito tempo, vamos andando. – Andrews falou energético.

Os dois seguiram, estavam em uma viela, andaram por mais ou menos meia hora entre os labirintos dos antigos prédios americanos que se acumulam uns sobre os outros numa demonstração de crescimento econômico explosivo e controlado.

- Vamos continuar andando sem descansar? Já passamos da meia noite.

- Sinto muito, mas não podemos parar, estamos em uma corrida contra o tempo.

- Não estou reclamando, eu apenas quero saber o que vou fazer, você pode achar tudo muito normal, mas apesar de tudo eu estou em uma cidade estranha, num lugar escuro, com um estranho que ainda não conheço.

- Você já começou a pensar em tudo que eu inseri na sua memória?

- Sim, minha cabeça já parou de doer, acho que isso quer dizer que eu assimilei todas as informações.

- Já? – Andrews parou e olhou assustado para Lucas.

- Por quê? Existe algo de incrível nisso?

- A quantidade de informações que te passei, devia deixar você com a cabeça doendo até depois de amanhã.

- É garoto, pelo visto você realmente é mais do que aparenta ser.

Lucas ficou feliz em escutar aquelas palavras, até agora ele já havia visto coisas que jamais imaginaria ver em toda a sua vida, porém não tinha feito nada, não tinha usado nenhum ataque mágico, nada devastador, ele queria lutar, queria ser como Andrews e agora como Ro. Ele queria ser forte.

- Seus olhos brilham, cuidado quando pensar em poder, esses olhos, são os olhos do aprendiz que quer superar seu mestre. Você mal conheceu a magia e já quer tanto?

- Desculpe, mas eu me sinto inútil.

- Não se desculpe, eu também fui assim. No passado os magos aprendiam a dominar a magia em escolas, existia uma escola para a classe mais elevada da sociedade e eu estudei nessa escola, lá conheci três amigos muito especiais que me ajudaram muito e que provavelmente devem estar de volta a esse mundo, já que eu também voltei.

- Nesse lugar eu aprendi a dominar a magia básica, passei cinco anos de minha vida lá, apenas perda de tempo. A magia foi feita pra ser aprendida através da vida, eu e esses meus amigos tínhamos pensamentos parecidos, evoluíamos escondidos, na escola os magos não aprendiam a usar elementos, e todos queriam usar elementos por que em Iegra, o lugar onde vivíamos, existia um exército que protegia o continente de invasões externas e de quando em quando eles davam demonstrações públicas de poder, era proposital, para inspirar os jovens a entrar para o exército.

Eles continuavam andando e Lucas ouvia a tudo atentamente, a conversa progredia com naturalidade, e Andrews revivia tempos em que ele era realmente feliz…

- Enfim, mas não é bem isso que importa, estava para terminar o meu quinto ano na escola, é o ano da PRIMA FORMATURA, é quando você conclui o ensino básico, podendo sair da escola se bem entender. A minha ambição sempre foi ir para o exercito, me tornar grande e poderoso, só que nesse dia tudo mudou. Lembro como se fosse hoje, uma chuva tremenda que não parava e nem dava trégua, quando eu olho pela janela do meu quarto e vejo no meio da rua um homem todo esfarrapado, andando como um bêbado com uma capa velha marrom, o que eu consegui notar com a luz dos relâmpagos foi uma franja ruiva, mal sabia eu o que aquilo ia me aguardar.

- De repente entram no meu quarto esses três amigos, Caú, Terry e Mia, eles vinham trazer notícias, os guardiões estavam na cidade, esses eram uma espécie de grupo de elite do exército, eles eram extremamente poderosos e só iam a lugares em guerra, o poder deles devastava a região em que estavam, por isso esse recurso era apenas para situações extremas. Éramos quatro curiosos, como tal decidimos ver o que estava acontecendo, a escola tinha um toque de recolher e com certeza estaria sendo patrulhada num dia como aquele. Só que éramos quatro descendentes de famílias ricas, mimados e curiosos, com pouco apreço pela vida. Armamos um plano, para Terry abrir um portal até os fundos da escola foi simples, o que se consegue facilmente com um piso de madeira escura, giz e um espelho, só que algo estava diferente naquele dia e como éramos jovens tolos e de pouca experiência não percebemos que o portal havia sido modificado, quando atravessamos pelo portal, ele se fechou nas nossas costas, estávamos numa floresta negra e congelada, ouvíamos gritos terríveis e estávamos sem agasalho, rapidamente estávamos morrendo de frio, começamos a andar desesperados sem saber para onde ir, quando de repente nos deparamos com uma imagem assustadora…

 

Nessa hora um deslocamento de ar fez os dois olharem para trás, uma sombra havia se movido ali perto, os dois haviam percebido, não era impressão, não era apenas uma sensação, eles estavam sendo seguidos…

Lucas olhou Andrews com medo e falou com a voz rouca:

- O que é isso?

O lugar estava mais escuro que o normal, estava realmente escuro e uma névoa branca muito espessa estava tomando conta de tudo, com ela um frio implacável se instalou, em poucas inspirações o nariz de Lucas já sangrava…

- Fique calmo, vamos continuar andando, não importa o que seja você não pode parar de ir em frente, existem meios de se escapar de qualquer criatura mágica. – Andrews falou baixinho.

A presença no lugar, a pressão espiritual, faziam as pernas de Lucas pesarem e Andrews sabia que aquilo era muito mais comparado ao que eles tinham enfrentado até agora, que pela primeira vez eles corriam risco real de vida e que tudo poderia acabar naquele lugar.

- Vá andando na frente, force todo o seu corpo ao máximo, pense sempre em coisas quentes, e continue andando, se você por acaso achar que está escuro, esqueça essa idéia, e continue andando, não pare por nada.

- Andrews, o que é isso? Eu estou congelando.

- Sinta-se honrado, você está presenciando uma força maior do que a de todos os seres que existiam nesse mundo antes de você conhecer a magia, você está sentindo a expansão de um território, de um Altar, um deus maior.

- Ah?

- Expansão de território é uma manifestação mágica de controle de área, é simples, o ser é tão forte, mas tão forte que é capaz de manipular a realidade a sua volta em um raio limite…

- Isso quer dizer que se continuarmos andando vamos conseguir sair desse frio? – Lucas estava com novas esperanças.

- Sinto muito, mas o dono desse território está caminhando, assim como nós estamos, então dificilmente sairemos.

- Vamos morrer?

- Não, o único ser que conheço que pode criar esse território é um amigo de longa data. Além do mais é estranho um território ser liberado nesse mundo, territórios são magias de alto nível nunca pensei que esse mundo suportaria esse tipo de coisa, e esse tipo de magia tem o lado da defesa, mas normalmente é usado contra inimigos poderosos.

- Você está sendo traído pelas suas palavras, então por que estamos sofrendo os efeitos desse território?

Nessa hora Andrews que estava em devaneios sobre amigos do passado imaginando quem realmente seria, acordou para a realidade. Eles estavam sendo atacados por um poder terrível e implacável, ele sabia que só existia um ser que poderia criar aquele efeito em um lugar, e sabia que o seu poder atual não seria capaz de enfrentar nem o território em si, e o mais estranho era exatamente o fato do ataque, amigos do passado não atacam amigos do passado…

Novamente uma sombra se mexeu e um vento gelado e cortante começou a soprar, Andrews se posicionou de forma a proteger Lucas.

- Andrews, nós temos que sair daqui, RÁPIDO!

- Droga, eu não posso parar para pedir explicações, eu não esperava ter que fazer isso, odeio ter que chamar ele de volta…

O jovem mago parou empurrou Lucas para o lado levantou os braços, fazendo movimentos furtivos, gritou:

- ELEMENTO DO FOGO! ENCANTO DE LUZ E CALOR. APAREÇA CAMINHO DAS CHAMAS!

Como sempre observamos a cena pelos olhos de Lucas, em meio a toda aquela escuridão, aquela névoa e em meio a todo o frio um caminho reto foi delineado por pequenas chamas, mas o vento soprou mais forte e as chamas apagaram ambos os jovens olharam para trás e uma sombra enorme apareceu na névoa branca, os seus olhos emanavam uma luz congelante de um tom azulado quase branco.

Estavam encarando a morte, eles estavam apavorados e ainda assim Andrews se interpôs entre a sombra e Lucas…

- VOCÊ NÃO VAI PROSSEGUIR, EU POSSO MORRER AQUI, MAS O NOVO GUARDIÃO NÃO VAI PERECER!

Eles apenas ouviram o respirar da sombra, o vento cortante era a respiração profunda daquela criatura, quando este abriu a grande boca de sombras os dois pararam, estavam prestes a receber um ataque mortal…

- ISSO, É ASSIM QUE FAZ, ESTÁ PRONTO!

- Essa voz… É o Edu… – Lucas desmaiou.

- ELEMENTO DO FOGO, APAREÇA AO OUVIR A MINHA VOZ EM TOM DE ÓDIO E FÚRIA. SENHORA DAS CHAMAS, ABENÇOE ESSA FLECHA SAGRADA QUE INUNDA AS TREVAS COM LUZ E CALOR, DRAGÃO DE FOGO, AVANTE!

A última coisa que Andrews viu antes da escuridão se dissipar foi um grandioso dragão avançando, apagando aquela imagem terrível dos seus olhos.

- ISSO! Consegui irmão!

- Finalmente, agora são dois a zero para nós, pode falar… – disse Eduardo com um sorriso orgulho nos olhos.

- Elemento do Fogo, seja bem vindo de volta ao seu lugar… SELO QUEBRADO!

Andrews olhou para trás e viu uma garota pulando de felicidade e um jovem mais velho que estava vestido como um mago…

- Mia? Terry?

 

Amon Täglich; Capitulo Quatro, Senhor dos Senhores, o líder dos controladores do destino.

•Março 15, 2008 • Deixe um comentário

Lucas olhava Andrews atentamente, ele queria falar algo, mas não podia. As ordens de Andrews haviam sido bem claras e aquela imagem, bem se vocês pudessem ver o que Lucas viu, iriam entender o real sentido de fétido e tenebroso…
- Eu sei que você quer falar, mas não pode por que apenas eu que criei a barreira posso manifestar energia dentro dela, o timbre de sua voz vai fazer a barreira se quebrar, talvez você não sinta, por que seus poderes ainda são novos, mas existe uma pressão espiritual aqui, e só o nosso convidado vai poder desfazer…
No momento em que Andrews estava falando, uma espécie de distorção surgiu no ar, imagine você um lugar muito quente e quando se olha ao longe a imagem se desfaz, bem é essa a aparência de uma distorção, um homem, na verdade um jovem que parecia andar pela casa dos vinte anos, saiu da distorção e apesar de todos os monstros ele foi andando firme, em frente, direto para onde Andrews e Lucas estavam.
Andrews parecia preocupado, os seus olhos estavam fixos no jovem…
- Mais que porcaria é essa? Ele está vindo direto pra cá, esse Rô, idiota, sempre um cabeça de vento!
O jovem continuava a vir e agora estampava um sorriso grande no rosto, a essa altura ele já estava cercado por todos os monstros do lugar, quando de repente ele levanta o braço e acena gritando:
- Oh HI, Édoän! – Sua voz era veludosa e forte ao mesmo tempo, trazia lembranças de um passado distante e glorioso.
Andrews sabia que tudo tinha ido por água a baixo, ele bateu com a mão na testa praguejando contra alguém, provavelmente contra aquele garoto, ele fechou as mãos em forma de selo… Essa foi a primeira vez que Andrews usou magia pura desde que havia recuperado sua consciência nesse “novo mundo”.
- Elemento da Água, Benção Tripla, Senhora de Todo o Céu, Rei das Profundezas Marítimas, Guardião Primordial, que seja feito o arranjo divino, TEMPORAL DE LUZ!
A voz de Andrews tinha se tornado incrivelmente alta, o seu tom pode ser escutado a metros de distância, os monstros do lugar deixaram de olhar imediatamente para o jovem e olharam para Andrews, que estava agora de pé sobre o muro, as suas mãos estavam fechadas em um selo, os seus olhos ambicionavam a morte, ele estava realizando uma execução…
- Édoän, quanto tempo meu amigo, quanto tempo!
- Rô! Seu imbecil, idiota, são monstros do primeiro general, termine o encantamento! – Andrews falou exasperado.
Rô olhou para Andrews e depois para os monstros, novamente para Andrews e fechou a cara:
- Você podia ser mais educado quando encontra alguém depois de tanto tempo não é mesmo? Você devia se sentir grato deu ter vindo até aqui para falar com você, eu podia ter ignorado a sua energia – se bem que isso é uma mentira, já que eu estava atrás dele desde o começo, mas ele não precisa saber disso – Seu… Seu… Seu chato!
Bem, nessa hora você fica se perguntando, que idiota seria esse que Lucas estava vendo e por que os monstros não atacavam. Se novamente olhasse pelos olhos de Lucas veria uma leva de criaturas negras cercando dois seres e as sombras aumentando assustadoramente enquanto os dois começavam a emanar uma luz fraquinha, era uma cena impressionante, por que o contingente de monstros estava aumentando, e surgindo cada vez mais e mais monstros do nada, Lucas estava aterrorizado e parado no muro apenas assistindo tudo, o que ele não sabia é que estava para começar uma batalha, duas forças estavam se digladiando, e essa paralisia, esse medo se devia ao fato de que toda vez que uma pressão espiritual exerce poder sobre o mundo, tudo se torna estático, quem não tem energia suficiente para quebrar essa “pressão” acaba por ficar estático também.
- RÔ! Por tudo que já vivemos, use o último selo! AGORA!
Rô, esse era o nome dele, ou melhor, o apelido, estava para se revelar o imortal por detrás do sorriso maroto, ele olhou para Andrews, olhou a sua volta e gritou:
- ELEMENTO NEUTRO! PURIFICAR!
Ele levantou as mãos, a chuva começou a brilhar, como se fossem centelhas divinas enviadas do céu, a aflição que estava se abatendo sobre o lugar passou, e um círculo vagarosamente começou a ser desenhado a volta dele, era como água, uma água santa, que caia em uma calha invisível e formava uma figura de ordem, de paz.
Rô bateu as palmas das mãos, e dessa vez com a voz bem mais amena disse:
- Monstros aqui presentes, seu lugar já foi decidido, que seu senhor saiba que estamos aqui, que saiba que temos de volta ao nosso lado, aquele que pode destruir todas as barreiras. O caminho se abrirá novamente a ele, mas vocês sujaram a alma desse mundo e agora merecem receber a punição, pagarão pelas mãos da luz que há muito tempo não se manifesta nesse mundo, pagarão com a purificação.
E depois sua voz mudou de novo, dessa vez cortou o ar de forma ameaçadora, um silvo de trovão:
- PU-RI-FI-CAR!
As luzes das gotas de água inundaram de vez o lugar, parecia que tudo era formado por luz, as sombras se desfizeram completamente. Enquanto Lucas respirava fundo, dois grandes amigos, dois irmãos se encontraram, e se abraçaram, esse abraço abalou as estruturas do submundo, pela segunda vez a aliança estava se reunindo, o que se pode ver naquele lugar. Aquelas centelhas nada mais eram do que as lágrimas da Deusa das Estrelas…
Lucas pulou do muro e foi em direção aos dois, ele se sentiu livre ao se aproximar, era uma energia que parecia curar todas as feridas, e por incrível que pareça Lucas tinha muitas, coisas que ele não expunha para ninguém, nem para aqueles que dariam a vida por ele.
- Garoto, esse é o nosso convidado, deixe-me apresentar, Rodêirh, O líder dos controladores do destino, meu primeiro e fiel aliado, meu amigo e irmão.
- Olá, eu sou…
- Você é o novo guardião, certo?
- Hein? – Lucas estava um tanto quanto “confuso”.
- Você poderia falar sobre isso depois? Eu já inseri memórias nele, por hoje já é o suficiente não acha não? – Falou Andrews em tom de reprovação.
- Mas… Você já contou certo?
- Claro que não, o garoto acabou de descobrir tudo…
- AGORA? – Rô parecia incrédulo. – Mas era pra você ter encontrado ele há mais de dois anos…
- Como assim? Eu acabei de descobrir minha real identidade, como eu poderia achar ele antes?
- Isso é muito estranho Édoän, eu manipulei o destino há muito tempo atrás para que você fosse o instrutor dele, eu achei que ele tinha trazido você de volta, assim como você fez com o seu pai e com o Daarkh.
- Ei! Eu sou eu ainda, não entendo por que voltei, mas eu sei que já fiz dezesseis anos nesse mundo.
- Sua vida, recomeçou? Isso é impossi…
Nesse momento ao longe uma sombra se aproximava, a chuva parou.
- A chuva divina não dura dias Rô? – Perguntou Andrews.
- Temos um convidado aqui Édoän, ele está se aproximando e ele já sabe sobre o garoto, temos que reunir a família toda, se eles forem pegos vai ser o fim de tudo, antes de tudo começar…
- Reunir família? Você fala dos irmãos?
- O elemento terra foi liberado hoje, antes de vir pra cá eu senti a mudança no panorama.
- O panorama ainda existe?
- Não importa! – Rô fez um gesto com a mão e um corte surgiu na frente deles, a realidade havia sido cortada, como um tecido.
- O que está acontecendo, Andrews? – perguntou Lucas.
- Vamos andando Lucas, eu explicarei mais depois. Rô?
- Vá você, o portal vai levá-lo até onde estão os outros dois, eles estão ao norte do mundo, ele está chegando, ele vai ver, vá agora!
- Esses dois seriam os meus irmã… – Lucas foi empurrado por Andrews e eles desapareceram dentro do portal.
Um vórtice de luzes é assim que é um portal, os corpos flutuam por que não existe gravidade o portal dobra a realidade em dois pedaços e atravessa de um lugar ao outro através de uma propriedade chamada Inércia, para os magos a inércia é a capacidade de se mover, estando parado, quem viaja por um portal acha que está se movendo, mas a realidade é que é mutante, as pessoas apenas são guiadas, é assim que funciona o mecanismo dos portais e depois de um solavanco a pessoa volta a realidade comum…
- Estamos no lugar pré-definido. – disse Andrews com fimerza.
- Estamos nos Estados Unidos, é onde meus irmãos estão…

Amon Täglich; Capitulo Três, Primogênito, aquele que serve ao elemento terra.

•Março 15, 2008 • Deixe um comentário

- Quem é você? – Eduardo se colocou na frente de Marina de forma que qualquer ataque pudesse ser bloqueado por ele.Nesse momento é preciso entender a situação de Eduardo, ele percebia que estava lutando contra algo mais forte do que o normal e que não poderia usar seu poder real para não chamar a atenção dos outros, além disso, o seu poder era muito destrutivo, se usado em um lugar com tantos prédios, causaria estragos inimagináveis. Tirando o fato de que sua irmã tinha aprendido a dominar o poder do fogo, a menos de um mês e ainda não possuía um elemento específico e isso é fator vital para que você consiga equilibrar seu poder.
- Capitão do Terceiro Esquadrão do Submundo, Servidor do Senhor das Trevas e tenho ordens para levá-lo ao meu senhor, vivo, porém não totalmente saudável.
- Sinto muito capitão, mesmo que eu tenha que botar abaixo toda essa cidade você não vai conseguir chegar perto, nem de mim, muito menos de minha família.
- Isso é o que vamos ver. – O capitão era um monstro truculento e muito grande, devia ter mais de dois metros de altura, os olhos eram um vermelho escuro, o fedor invadia toda a viela onde eles estavam. Depois de se recuperar da sensação que a escuridão provocava Eduardo notou a presença de um pequeno batalhão atrás do capitão.
- Isso vai ser mais difícil do que está parecendo, preciso usar o poder. – Pensou ele.
- Droga, fazer o que? – Eduardo se preparou para o pior.
- Vamos ver o quanto o seu título de capitão vale. Elemento Terra, Primogênito de Todos, Senhor dos Portões do Sul, Apareça em Forma de Ferro e Bronze, Martelo Aríete.
Todo o asfalto tremeu como em um pequeno terremoto. Eduardo continuava parado estático com o selo fechado em suas mãos, e olhava fixamente pra todo o espaço a sua frente. O tremor passou.
- O que houve jovem mago? A sua mágica infantil falhou? – zombou um dos soldados maiores atrás do capitão.
O capitão retirou uma espada de ferro, enferrujada e velha, brandiu ela na direção de Eduardo e gritou:
- Acabem com ele!
- SUGIRO QUE VÁ EMBORA AGORA, CAPITÃO! – gritou Eduardo.
- E agora você quer me dar ordens? Você vai morrer seu verme. – Todos correram em direção a Eduardo brandindo suas armas sujas.
- Quem avisa amigo é. Quem não ouve, é burro! Nunca subestime um mago, capitão! ELEMENTO TERRA, REVERBERAR! – As feições de Eduardo mudaram, ele que tinha uma aparência séria e calma agora estava agitado.
O tremor que havia passado voltou e dessa vez muito mais forte, o chão começou a rachar debaixo dos pés de todos e uma forte luz saia das fendas. Marina que estava parada, até o momento, observando tudo correu procurando um apoio para não cair.
Eduardo quebrou o selo, cerrou os punhos e deu um gancho no ar, nessa hora quem estivesse um pouco mais acima conseguiria ver que o brilho não era apenas luz, mas um círculo mágico perfeito que se estendia por toda a área, logo após o gancho uma luz mais forte brotou de dentro do circulo e em uma enorme explosão um punho gigante feito de terra atingiu o contingente que se aproximava lançando todos no ar.
- Isso, meu caro capitão, se chama expansão de território, que pena que agora você não vai mais viver parar contar para os seus amigos não é mesmo?
Eduardo disparou seu punho contra o ar varias vezes e os golpes se repetiram impiedosamente contra o contingente de monstros que agora estavam presos naquela armadilha. A aura de Eduardo havia mudado, os seus olhos brilhavam em um tom de ouro e energia jorrava do seu corpo.
- Já chega, não é mesmo? – Eduardo fez um movimento com as mãos e o capitão foi jogado mais a frente, enquanto seus homens ficaram para trás.
- Eles são puro lixo, posso acabar com eles, mas você capitão, eu mudei de idéia quanto ao seu destino, dará um recado ao seu senhor, por mim ta certo? Diga a ele que aqui existe um guardião e que nele habita o espírito da terra, que se tentar uma nova investida contra minha família, ele deve ter em mente que farei o reino fétido dele ruir.
Nesse momento Eduardo passou a mão pelo pescoço, como uma faca que corta a garganta de alguém, e todos os monstros foram decapitados, virando em seguida poeira negra.
- Agora você, vá e não apareça NUNCA MAIS! – Eduardo usou as mãos pra fazer o selo da terra mais uma vez e como quem empurra algo para baixo, e o capitão foi sugado para dentro da terra, desaparecendo.
Quando se virou, Eduardo mostrou pela primeira vez no mundo o verdadeiro espírito de um mago, seus cabelos estavam bagunçados, os magos não eram muito ligados na estética, uma grande capa marrom escura com várias insígnias (inscrições mágicas) o vestia perfeitamente, e seus olhos eram o que mais chamava a atenção, estavam brilhantes até na escuridão da noite, eram de um tom dourado.

- Incrível! Maninho, você acabou com eles, e essas roupas, esse cabelo, e os olhos, que coisa mais legal. – Marina vinha correndo em direção a Eduardo.
- Não é nada que seja bom possuir, talvez no passado, mas o que agora me ajuda está sendo retirado do mundo, isso quer dizer que pra eu fazer o que fiz aqui, algo de ruim aconteceu. Você entende o porquê de eu não usar magia desse tipo?
- Sim entendo, mas mudando rapidinho de assunto, é melhor sairmos daqui não? Em breve isso aqui vai estar cheio de gente, vamos embora! – Marina segurou Eduardo pelo braço e puxou ele.
- Calma! Temos que ir, mas acho que devemos voltar pra perto de nosso irmão, sinto que talvez estejamos atrasados, e não posso esperar mais, segure-se em mim, nós temos que ir agora! – Eduardo abraçou a irmã contra seu peito, levantou o braço e abaixando-o gritou:
- Elemento Terra, Transportar! – Fazendo os dois desaparecerem dentro na terra.
Enquanto isso, Andrews e Lucas olhavam de cima do muro a rua deserta, no final da rua um poste apagou, mas os dois não ligavam, Andrews havia acabado de dizer:
- Haja o que houver não se mova, não grite e espere, existe um ser que está vindo ao nosso encontro e só ele deve saber nossa localização, a nossa volta existe uma barreira, mas basta uma ação brusca e a barreira vai se desfazer, então seremos vistos por todos eles.
Se alguém pudesse ter olhado pelos olhos de Lucas teria visto pela rua, andando, voando pelo céu, ao lado deles, vários monstros deformados, que manchavam o mundo com suas formas imundas e o mal que exalava de dentro deles…

Amon Täglich; Capítulo Dois, Uma avalanche de Lembranças.

•Março 15, 2008 • Deixe um comentário

Estavam descendo as escadas e Lucas perguntava muitas coisas, mas recebeu como resposta apenas:
- Quando chegar lá embaixo, ai eu poderei falar de tudo com clareza, agora que você sabe da magia, então vai ser diretamente afetado por ela, no nosso mundo nada escapa a um poder mágico chamado Percepção.
Andrews sentiu uma sensação de frio, estava tudo ficando escuro e de repente ele caiu.
- O que houve com você? Hei Andrews, acorde! – Lucas começou a ficar perturbado, Andrews para ele era como uma chave, uma chave para uma porta que ele nunca conseguiu abrir, e por isso um instinto de zelar por ele surgiu no seu coração.
Uma porta se abriu e uma senhora idosa saiu olhando curiosa por detrás de uns óculos de armação dourada.
- Lucas? Meu garoto é você?
- Desculpe vovó sou eu sim.
- Por que está todo sujo e molhado? Você estava onde pra estar assim? Meu Deus do céu, menino como você está sujo!
- Ela não esta vendo o Andrews? – Pensou Lucas.
- Se bem que eu também não estou.
Andrews havia desaparecido contra sua própria vontade, temos que lembrar que ele ainda não estava acostumado a todo o poder que tinha recuperado.
- Eu já estou indo vovó. Estava pegando a chave que caiu aqui na escada. – Lucas falou fingindo pegar algo que estava no chão e desceu pulando os degraus e pensando onde estaria Andrews.
- Cuidado meu filho, as escadas estão molhadas. – Ele ouviu a voz da avó, mas quando pulou o ultimo lance de degraus ele escorregou e caiu, quando sua cabeça ia bater no chão duro, ele sentiu que ela flutuava parecia que alguém o segurava.
- Você ouviu o que ela disse? Cuidado, eu já disse isso a você. – E Andrews apareceu, ele estava segurando sua cabeça com uma espécie de braço prateado, que saia da palma da sua mão.
- Quase que eu não pego você, lembra o que eu falei sobre você ser mago? Eu acrescento mais uma coisa, esse mundo tenta destruir os magos automaticamente, a energia que você carrega dentro de si é poderosa demais para os limites desse mundo, agora vamos logo, eu sinto que algo vai acontecer, a energia daquela velha era muito forte.
- Aquela velha… era a minha avó, mais respeito, por favor! – Lucas não tinha gostado do tom de Andrews, mas ele falou da avó dele como se ela fosse poderosa, seria sua avó alguém especial também?
Andrews o ajudou a se levantar e foram até a porta, Lucas ia abrir a maçaneta quando a porta se abriu sozinha, ele pulou assustado.
- Calma! Essa é sua casa, as portas que foram fechadas por magos, apenas para magos se abrem.
- Quer dizer que se outra pessoa tentasse entra aqui, ela não ia conseguir? – Ele pensou em sua família, seria embaraçoso ter que explicar uma situação como aquela.
- Não, quer dizer que se alguém tentar entrar contra a sua vontade aqui, vai ter que matar você primeiro.
- Muito legal você sair falando essas coisas por aí.
- Você prefere que eu minta?
- Esquece, e vamos entrar logo parece que o dia hoje ta me pregando uma peça.
Eles entraram pela porta, era um apartamento de uma família de classe média, paredes todas brancas e um piso de cerâmica marrom, moveis escuros, tudo simples, nenhuma grande sofisticação, mas era um lugar que inspirava a uma família que estava tranqüila com a vida.
- Você tem água? – perguntou Andrews.
- Claro que sim! – Lucas correu e pegou um copo cheio de água gelada e deu a Andrews que tomou tudo em poucos goles.
- Que sede! Bem eu acho que devo algumas historias a você não é mesmo? – Lucas confirmou com a cabeça.
- Já falei sobre a existência dos magos, e você confirmou varias coisas que eu estava imaginando. Você tinha ânsia pela magia, você a procurava em todos os lugares que ia. Isso esta no sangue, é uma coisa que todo mago, como posso dizer, ah claro a palavra que vocês usam é pressentimento. Aquela coisa de controlar o tempo, bem isso não é tão especial, por que os homens comuns podem fazer tal coisa, apesar de não saberem disso e ser mais difícil, o sentimento de cada um é um grão que unido a vários outros grãos realiza grandes feitos, é isso que vocês chamam de fé.
- Lucas, a magia está em tudo, por que mesmo o que não é natural, ou seja, tudo que foi construído, fabricado, planejado e maquinado por um homem, tem parte de seu esforço e nesse esforço parte da energia passou, para essa idéia, ou instrumento.
- Entendo, mas e como funciona? – Lucas estava realmente empolgado com aquilo.
- Funciona o que?
- A magia. Como eu faço pra fazer um feitiço, por exemplo?
- Bem eu não vou dar aulas a você, por que basicamente pra resumir muita coisa que você ainda vai ter que ler, magia é instinto, o que eu me proponho a contar a você é minha historia, até onde eu lembrar claro. – Andrews coçava a cabeça como quem quer lembrar de algo.
- Eu vivi há muito tempo… Nossa como minha cabeça dói! – Andrews sentou no sofá acompanhado pelo olhar ansioso de Lucas.
- Você esta bem?
- Claro que estou, é só uma questão de tempo… Tempo… Como eu queria estar perto dele agora… – Lucas observava assustado, Andrews entrava em devaneios seu olhar se perdia em um passado incontável.

- O mundo que você vive Lucas, não conhece a magia, e não foi por vontade dele que isso aconteceu, foi por vontade de outros, por culpa de gente do meu tempo que você foi privado de toda a felicidade e todas as pessoas também.

- Eu tenho que confessar que esqueci coisas da minha vida, mas eu tenho certeza de uma coisa, eu renasci, atualmente na contagem que eu aprendi, entro na casa dos dezesseis anos, e a meu ver, e pelas lembranças que tenho agora, o que é pouca coisa, a minha vida toda vivi dentro do prédio da ICS, que é uma organização que participo e que vai me trazer problemas, por que agora sei que o que fiz foi errado. A magia não pode existir nesse mundo, ele já está velho, apesar do que dizem esse mundo não existe no tempo que acham que existe, ele chega a ser dez vezes mais velho.
- As pessoas não entendem e por isso o maltratam, mas esse mundo depois de um grande desgaste se reestruturou e restaurou uma aparência maquiada, uma máscara para que as pessoas achassem que ele era novo, esse mundo tem sim vida e consciência, graças a um poder muito antigo que habita em seu interior, por isso a inspiração das pessoas sobre o seu centro são sempre esquecidas, se as pessoas colocam algo na cabeça elas vão até depois da morte se for preciso pra realizar, então existe um mecanismo que tenta expor uma visão externa, as pessoas são inspiradas a alcançar o de fora, mas tanto o de fora é muito mais vasto do que as pessoas podem imaginar, é um disfarce pra que o resto de energia que existe dentro dele não morra, se morrer, tudo morre, a vida e tudo o mais.
- Aquilo a qual as pessoas chamam de destino é Aman, ele escreveu o livro o qual dizia como cada um deveria seguir sua vida, se ele enfraquecer até o ponto em o seu escudo quebre, todas as páginas do livro vão se queimar, tudo será destruído, é por isso que existe o mecanismo. As pessoas ficaram más, antes elas guerreavam por ignorância, por ganância – e continuam até hoje – não que a própria Ganância não deva existir. Tudo deve existir, mas atualmente as coisas fugiram do controle, os homens conhecem o perigo, são instruídos e ainda assim seguem o mesmo caminho. Isso realmente é revoltante e eu experimento dessa situação, mesmo estando a pouco tempo nesse novo mundo.
- O destino o abençoou, na verdade eu diria que você foi amaldiçoado, por que é provável que um grande mal tenha sido despertado, para que eu tenha recuperado a minha memória, e achado você, somos dois, faltam mais dois para que a conta dos guardiões novamente tenha sentido e eu tenho certeza que os elementares estão ressurgindo, para lutar.
- Elementares? O que é isso?
- O que, não, Quem são. Eles criaram tudo, podem ser comparados aos deuses de certas culturas… Não tempos tempo, preciso que você entenda o básico muito rápido, e tenho que dizer que isso vai doer.
Andrews colocou a mão acima da testa de Lucas e um brilho dourado apareceu na ponta do seu dedo, uma pequena brisa rodeou os dois fazendo os cabelos de Lucas se arrepiassem, ele estava experimentando uma leitura de mente, quer dizer, uma leitura inversa, ele sem saber, e por intermédio de Andrews, estava lendo uma mente muito complexa, a do próprio Andrews eram tantas imagens e passavam tão rápido, mas ele entendia, não sabia como, mas era como se fosse um filme muito rápido, e ele conseguia acompanhar aquela velocidade.
Uma pequena força o empurrou levemente e a luz desapareceu, e então ele pode abrir os olhos, sua cabeça latejava fortemente, e seus olhos pareciam fora de foco.
- Incomodo não? Temos que encontrar seus irmãos, e provavelmente vamos deparar com gente aliada no caminho, mas eles devem ser quem eu procuro e quem o mundo tenta fazer renascer, se Ele voltou então todos terão que voltar, e provavelmente um velho amigo deve estar ao nosso encalce, mas não se deve facilitar para eles, afinal eles quem tem a responsabilidade de equilibrar a luta…

Andrews puxou Lucas pelo braço e eles saíram correndo, na verdade Andrews os fez atravessar a parede e ficar em cima do muro do prédio logo a frente da janela onde tudo começou. Lucas não estava confuso pelas palavras de Andrews, mas pela dor de cabeça que aquelas lembranças provocavam nele. O velho amigo era “Rô”, na verdade, Rôdeirh, um Controlador do Destino, em Iriam eram chamados popularmente por esse nome, eles eram os únicos seres que tinham acesso aos poderes de Amam, mas não podiam lutar, cabia a eles dar dicas do que estava para acontecer, e tentar equilibrar a luta. Porém anos antes de Iriam encontrar seu fim definitivo, as forças das trevas se tornaram peritas em destruir o trabalho dos Guardiões do Sagrado, que era como os deuses chamavam os Controladores do Destino. Um trabalho quase perfeito, que só foi impedido graças a um garoto, esse garoto era Andrews, o ultimo trunfo do criador do mundo. Muitos mistérios envolvem sua existência e sua raça. Bem, realmente nem aos magos ele pertence, pois seu pai mundano era um mago, mas ele era filho do criador, pertencendo a raça dos Deuses de Eah, os deuses que podem originar deuses e que não servem a ninguém. Por enquanto não será dita muita coisa sobre isso, afinal Andrews nem disso se lembra.

Muito longe dali dois jovens, um de vinte e quatro anos e uma bela jovem que acabara de completar vinte primaveras, estavam caminhando no meio da rua, de uma cidade bastante escura, um cenário realmente assustador, principalmente para aqueles personagens.
- Não acredito que estamos aqui! Você realmente não tem jeito, eu já disse que ele iria aparecer pelo OUTRO lado, sinceramente irmãozão, eu sempre disse que seu senso de direção é péssimo, logo você que devia conhecer a terra como ninguém.
- Nossa como você reclama viu? “Má”, se você fosse mais atenciosa e olha-se o que ta na sua cara, veria que eu estou sempre certo.
- Hmm?
O rapaz apontou para frente onde um ser escuro como a noite, andava nervosamente encoberto por um capuz preto.
- Nossa! Cada dia eles parecem mais feios, eu não acredito, que em plena Nova York, eu tenha que estar caçando essas coisas.
- Eu já disse que você podia ficar em casa, que eu resolvia essas coisas, afinal eu vim para cá por causa disso, você só está de férias, eu tenho trabalho e essas coisas que me fazem criar raízes nesse lugar, você podia muito bem arrumar amiguinhos, e ir pro cinema ou outra coisa, não vou pegar no seu pé.
- Nossa! Como ele fala bonito! – Falou a menina em tom de deboche. Dando uma risadinha.
- Eu quero ir com você irmãozão, afinal, de que vale eu ir sozinha, vim aqui pra visitar você, pra onde você for eu vou junto.
- Você já leu o Livro de Fúriah? Que eu disse pra ler?
- Sim, e quase o queimei por causa disso! – Falou a jovem com uma cara de desapontamento.
- Você se lembra da parte em que ele diz como incendiar o oxigênio?
- Lembro sim.
- Eu quero que você…
Antes que pudesse perceber a garota levantou os braços com a palma das mãos apontadas para a criatura que se distanciava cada vez mais e chamou pelo espírito adormecido do fogo, que até aquele momento não havia sido reativado:

- Porção sobre um inteiro, aquele que controla as transformações, vem ao ouvir minha voz, e se transforme em raio incendiário, atravesse pelos portões do norte, dedilhado de fogo, INCÊNDIO!
A garota estalou os dedos e dele uma fagulha muito brilhante surgiu, o ar foi incendiado, mas apenas em uma linha reta imaginária, o fogo estava sendo controlado pela vontade da garota. Seria um ataque certeiro e sem defesa, o monstro não notará a liberação de magia a tempo, e tanta magia sem dúvida devia ter deixado ele paralisado, mas o raio de fogo foi repelido, uma figura negra se projetou como um escudo, em frente à criatura.
- Irmão, o que é isso?
- Marina, volte, e se proteja! Esse aí é esperto demais para os seus conhecimentos, volte! – O garoto estava totalmente desnorteado, nunca que um monstro poderia repelir um ataque direto daquele, normalmente nenhum monstro poderia, sua irmã tinha demonstrado uma magia monstruosa, como podia aquilo acontecer?
Esse garoto era Eduardo, e sua irmã Marina, eles não estavam em sua terra natal, mas existia uma força que os ligava a um de seus entes queridos, eles eram os irmãos mais velhos de Lucas. Se o garoto anteriormente sofrera um ataque, vocês poderão notar que ele não era um alvo tão desejado assim, por que tudo fazia parte de um plano maior, infelizmente esse plano era do inimigo.

Amon Täglich; Capítulo Um, O novo despertar.

•Março 15, 2008 • Deixe um comentário

- Por que a perseguição ao garoto? – Andrews olhou rapidamente o relógio que emitia um bip. Alsoter. Era um caçador de almas, como ele pensava, alem de seu nome apenas um aviso era visível de forma que Andrews não percebeu o perigo que estava próximo. “MUITO PERIGOSO!”.

O barulho das telhas se quebrando foi abafado por mais um trovão.

- Como é fácil usar a natureza, se não fosse por ela, eu estaria em apuros. – Andrews pensou. Ele não se preocupava com os monstros e seres que enfrentava diariamente, ele tinha medo da reação dos homens se descobrissem o que os cercava.

Uma respiração pesada e quente estava no seu pescoço.

- Desculpe amigo, mas no primeiro encontro eu prefiro apenas conversar! – o chute certeiro de Andrews atingiu a criatura, que cambaleou em direção ao parapeito.

Andrews correu e segurou o monstro pela protuberância que saia pela sua cabeça.

Eram comuns os chifres nos filhos do senhor do submundo.

- Infelizmente você, vai comigo pra um canto em que seu pai, não pode te ajudar.

Dessa vez um raio cortou o céu e com um silvo acertou exatamente no poste, que estivera indeciso sobre sua luz.

 

Uma explosão enorme jogou Lucas para dentro do quarto, ele até o momento estava tentando ver o que tinha acontecido. Chuva, trovões e raios não eram comuns naquela cidade.

 

Andrews havia sido atingido por um braço da descarga elétrica e da forma que ficou viu algo que não esperava, seus olhos que eram meticulosos, agora estavam horrorizados.

Uma figura escura que parecia ter asas aparecera atrás de Alsoter, e o segurava com garras escuras, alem dessas garras, apenas os olhos de cobra podiam ser vistos em toda a escuridão que os cercava.

 

- Quem é você? – Andrews perguntou, se preparando para o próximo ataque. Não importava quem era ele, tinha um trabalho a fazer.

 

Andrews havia sido chamado por uma agencia governamental, que trabalhava no mais absoluto sigilo. O uniforme de Andrews trazia nas costas as iniciais I.C.S. O Instituto de Controle Sobrenatural era uma agencia que fazia valer o dinheiro que gastava.

Seus agentes apenas respondiam a uma pessoa, o chefe. E sua missão era enviada através da mais avançada tecnologia, o relógio que Andrews trazia consigo só funcionava com pessoas especiais.

Mais dez agentes faziam parte dessa organização, mas nenhum sabia nada do outro, só os melhores eram contratados. A estatística era certa, a cada um milhão de pessoas, um ser especial nascia, isso em apenas uma certa localidade que era definida por eventos climáticos, históricos e situações do dia-a-dia como um simples cair de folhas na árvore da esquina. A ICS tinha o dever de fazer essa varredura, achar esses homens e mulheres, monitorá-los e ensiná-los para que futuramente servissem a nação.

 

Esses foram conhecidos como renegados. Os últimos magos viventes, os restos dos genes perfeitos que tentavam sobreviver, eram poderosos em combate, mas frágeis contra as pragas modernas.

 

- Olha aqui, essa criatura já é minha, não importa quem seja você, é melhor não tentar lutar! – Andrews estava blefando, suas ordens eram simples e diretas:

- Seja discreto, eu não quero problemas. – O chefe era um homem velho, mas muito influente, o mundo não sabia sobre as ações da ICS graças a ele, um gênio que subira no exercito rapidamente. O principal trunfo da ICS era sua nação sede, um pais emergente que não tinha um crédito confiável no mercado internacional.

 

- É melhor não se intrometer criança, essa responsabilidade pertence ao reino abençoado e ao reino do sub-mundo. Não se intrometa, em assuntos onde seus pequenos truques de mágica não têm efeito. – A voz era seca e rasgava o ar, trazia lembranças de morte e fazia Andrews sentir um frio na espinha.

- Criança? – Andrews estava pegando uma espécie de esfera transparente que emitia uma luz fraca.

- Que tal você tomar cuidado com o que fala! – Andrews fechou o objeto nas mãos na forma de um selo antigo.

- Filho dos céus, senhor da luz, onda de energia. Ataque, relâmpago rei!

O objeto foi jogado e produziu na hora um relâmpago que foi em direção a criatura, mas apesar de toda a energia que foi liberada a escuridão só aumentou e o ataque não teve nenhum efeito, pelo contrario ele foi revidado com uma gargalhada diabólica.

- É isso que você sabe? Como podem temer uma criatura tão patética? Seu poder foi todo resumido ao uso de maquinaria humana?

Um braço de sombras se lançou sobre Andrews de forma ameaçadora. Pela primeira vez em muito tempo ele estava sentindo medo.

- Vamos testar a força do maior de todos os magos!

 

Aquilo estava fora dos seus planos, na maioria das vezes Andrews não tinha problemas na captura, os monstros não podiam controlar as propriedades naturais, eram apenas monstros, seres deformados pela vontade de um ser superior que tentava dominar a Terra.

Era uma briga antiga, ele havia lido na poderosa biblioteca da ICS, uma briga que perdura por eras.

Um senhor do céu acima das cabeças e um lugar que é inalcançável sem a autorização dele ou de seus generais.

E o outro seu filho que bateu em retirada para o submundo quando o mundo ainda era jovem. Uma briga mesquinha de dois seres que na realidade não tinham controle nenhum, apesar de dominarem através da ingenuidade humana.

Ao se lembrar desses escritos a mente de Andrews conseguiu libertar uma coisa a muito selada, uma força maior e capaz de como diziam os antigos “realizar a mais perfeita união”. A união do bem e do mal.

Tudo parou, por que aquele poder era capaz de alterar barreiras poderosas como o tempo.

O movimento foi rápido e diferente de tudo que Andrews havia experimentado até aquele momento. O seu corpo se moveu com total consciência e tudo pareceu lento aos seus olhos. O ataque inimigo parecia tão pequeno.

Ele não havia notado, mas uma aura o envolvia e seus olhos emanavam uma luz que feria as sombras crescentes, e não saberia se não fosse por um garoto curioso que se movia apenas pela vontade do seu coração e começava a abrir a portinhola para entrar no telhado do prédio.

 

- Não sei por que estou subindo, por que será que esta acontecendo isso? – Lucas estava pensando e seu coração apertava, ele lembrava de seus sonhos, coisas de criança, era um aperto bom, era uma dor que valia a pena sentir, ele não sabia que seus sonhos estavam tão próximos e que uma aventura onde a inocência é deixada de lado para que os sonhos possam se tornar realidade estava chegando.

 

- Pela benção daquela que acendeu a chama das estrelas e pelo aval de quem pode iluminar o universo, ataque de lamina número dez, espada que corta as sombras, AVANTE, LÂMINA DE LUZ!

E ele lembrou de muita coisa depois dessas palavras, nesse momento Andrews soube quem era, e por que estava ali, na realidade, o que era que ele estava fazendo, lembrou de toda uma farsa e sem a mínima piedade olhou a criatura de cima a baixo, e liberou usando os braços uma grande lamina que explodiu em luz, destruindo e apagando todas as sombras.

Olhando aquela cena estava Lucas, não acreditava no que via e se perguntava se era verdade. Aquilo que tinha acontecido era magia. Não eram truques, nem crença, não era manifestação comum aos homens, era magia pura e simples, magia com a qual ele sempre sonhou.

Ele havia visto tudo, o ataque das trevas e a reação de Andrews, e seu coração se deslumbrava, era real, tudo que ele imaginava, não estava sonhando, e ele sentia que poderia alcançar aquela força.

Lucas não sabia, mas estava se comportando como um mago.

 

- É o momento de contar algumas coisas sobre os magos, eles viveram no nosso mundo há muito tempo, e na sua língua o nosso mundo se chamava Iriam, muita coisa aconteceu naqueles tempos, Iriam, foi o nosso mundo na época em que havia magia, mas essa magia hoje em dia está muito fraca, por isso que os poderes de Andrews desapareceram.

Uma grande conspiração visou destruir tudo que existia e a magia estava incluída, mas esse plano fracassou. Pelas mãos de Andrews os planos do maior mal, que já se teve noticia em todo o tempo e espaço, foram impedidos.

O que Lucas escutou foi um encantamento é assim que eles são feitos.

Um encantamento é a forma mais complexa de magia, para os homens é quase impossível de ser realizado. Envolve muitos fatores como a reunião da força natural, a autorização da entidade responsável e a conversão de varias outras coisas em matéria, seja ela luminosa, seja ela térmica, ou seja, o resultado, o ataque. -

 

A surpresa foi para ambos, mas o perigo não havia terminado.

Foi rápido o suficiente para Andrews perceber, mas não para ele agir, o buraco de onde a criatura havia surgido estava lá, mas não havia nem criatura, nem monstro.

Uma grande garra feita de sombras tentou capturar Lucas, mas ao se aproximar do garoto o mesmo pareceu sofrer influencia da luz de Andrews e com uma mão ele inconscientemente bloqueou o ataque, que após um grito horrível de ser escutado desapareceu junto com o buraco, que na verdade era um portal.

 

- Quem… Quem é você? – Lucas perguntou, mas ele não estava com medo, aquele jovem que estava a sua frente parecia muito com ele, e trazia a ele sensação de conforto e segurança, ele estava feliz e quase eufórico, mas temeroso, dessa forma ele queria confirmar que não sonhava e que tudo aquilo era real.

Andrews havia confirmado suas suspeitas, o que aquele garoto tinha feito era um difícil recurso usado apenas por magos experientes, foi um ataque espelho, que imita o ataque de maior força que estiver mais próximo, é uma técnica para quando não se tem mais energia, assim o individuo pode atacar sem gastar sua própria energia.

- Finalmente eu estou cara a cara com você. – lagrimas brotavam dos olhos de Andrews.

Lucas ficou aflito vendo aquela cena, um rapaz estranho, que ele nunca havia visto na vida, chorando por sua causa.

- Por favor, não chore, eu acho que… Talvez… Eu quem deva chorar, por que eu entendi bem? Aquilo que você fez era magia? E… E eu também fiz…

- Sim aquilo era magia, magia que esse tempo não conhece. Algumas coisas têm que ser contadas meu amigo. Qual o seu nome?

- Lucas – respondeu o garoto, acenando com a cabeça.

- Muito prazer, eu sou Andrews. Talvez, você já saiba e não vai se assustar quando eu disser, mas eu sou um mago e você só sente essa euforia por que você também é.

- É incrível, é um sonho, você, aquele monstro, e eu? Quantas vezes eu não quis isso, quantas vezes isso me foi negado? Como pode existir magia? Tudo que existe hoje, para todas as pessoas, esse tipo de coisa é fantasia e sempre me disseram que a fantasia só serve para se fugir da realidade.

- Muita coisa eu vou contar a você, se não me engano você está só em casa, assim fica mais fácil. – Andrews, não ia apenas contar coisas para Lucas, mas ia contar coisas para ele próprio.

- Como você sabe disso? – Lucas começou a ficar desconfiado.

- Eu estava observando você a mais de um mês, você não foi sorteado entre muitos, como é comum de acontecer à magia hoje em dia, graças a forças do passado o meu sangue perpetuou por eras sem conta, você é especial dentro de sua linhagem que enfraqueceu, mas você descende de uma linhagem real, entre todos os magos.

- Agora vamos sair daqui por que ficar debaixo de chuva e nesse lugar imundo não é uma coisa muito agradável, e provavelmente essa chuva vai continuar por pelo menos um dia sem trégua, o mundo tem suas maneiras de limpar a sujeira que os seres das trevas deixam por ai.

Lucas tinha muito a perguntar e sinceramente pouco importava de ficar embaixo de chuva, até dentro de uma poça de sujeira ele não se importaria, pois nunca esteve tão feliz quanto naquele momento.

Para quem havia esperado catorze anos em vida, ele podia esperar alguns lances de escada e alguns minutos de descanso.

Nesse momento, apenas Andrews por já ser um mestre sentiu que muita coisa havia mudado, não foi apenas pelo ataque espelho, mas foi quando a balança pendeu que ele sentiu e confirmou que aquele era a nova manifestação do seu próprio eu, e vibrou por isso.

PREFÁCIO

•Março 15, 2008 • Deixe um comentário

A noite se dobrava lentamente enquanto ele olhava pela janela, sem perceber que alguém o observava pelo lado de fora.

A lua estava cheia e o vento era frio.

- Acho que vai chover. – pensou Lucas. Era engraçado esse dom que ele tinha, e não sabia o porque, o tempo sempre contava a ele o que estava para acontecer, se ia chover ele dizia com total certeza, se algo ia acontecer, suas previsões nunca eram erradas.

Ele brincava com isso, era divertido, mas nunca tinha levado a serio, ele não sabia os segredos que seu nome guardava, e quanto seu sangue era especial.

 

*

 

Do lado de fora a sombra que estava em cima de um prédio observava: um bairro simplista, com ruas de terra, um poste com a luz queimada, outro que estava pela hora da queda.

- São apenas pessoas. – Ele pensou. Andrews se perguntava o que o tinha trazido até ali, aquele garoto tinha conseguido mudar o tempo bem na sua frente, mas era normal para os homens fazerem isso, apesar deles não saberem das suas capacidades.

Alguns homens jogavam dominó na esquina e conversavam. A rua estava silenciosa e o som das pedras batendo na mesa podia ser ouvido longe.

- Se por acaso um dia meu coração me enganou é provável que eu não estivesse vivo, tem que ser ele, sangue do meu sangue afinal eu não estaria nesse estado pra seguir uma pessoa qualquer.

Andrews não amava os homens, mas ele preferia a indiferença a um confronto, ele optou pelo esquecimento e a miscigenação de sua raça, ao invés de tentar dominar os mais fracos.

Muita coisa caiu no esquecimento e sua memória também estava nesse meio. Foi assim que as pessoas não sabiam da existência dele, tudo era conspirado para que ninguém soubesse de nada, nem mesmo os guardiões. Era um mundo à parte, aquilo que chamavam de noite, onde coisas aconteciam.

Essa era a razão de viver de Andrews, dar paz aos homens. O por que ele não sabia, mas preferia deixar as coisas daquela forma. Aquele trabalho era um afago no seu coração, e para sua mente que não lembrava de muita coisa.

E lá estava, como ele esperava, a mais de dois dias uma criatura se mostrava suspeita, era um caçador de almas que fazia uma perseguição a fio, a um jovem, a surpresa de Andrews foi descobrir que a presa era o mesmo garoto que ele passava horas a olhar todos os dias.

Ora, mas Andrews era apenas um garoto, que tinha responsabilidades de um homem, apesar de que era fácil para ele lidar com isso, estranho? Talvez.

Agora sua atenção se voltava para o telhado do prédio onde o garoto morava, a fera estava lá, estava prestes a atacar e ele não podia perder tempo.

Calculou mentalmente ia precisar levar o combate pra cima, quando o monstro se lançou no mergulho, ele atirou.

A chuva começou a cair.

Lucas viu o relâmpago e pela primeira vez notou a sombra que vinha na sua direção, mas ela se jogou pra cima do prédio.

- Como pode isso? – Ele se esticou para tentar olhar pra fora, mas nada podia ser visto. Uma coisa que Andrews tinha aprendido a ser era silencioso e rápido. Seu dever era destruir qualquer fera que ameaçasse os homens de maneira que ninguém percebesse, mas Lucas não era um homem comum, era um descendente de uma raça antiga que passou a manifestar seus desígnios com intervalos entre gerações, e ele tinha sido premiado pelo destino, ou amaldiçoado, quem vai saber.

Ele era um mago.